Wednesday, July 13, 2005

whisper

catch me as i fall
say you're here and it's all over now
speaking to the atmosphere
no one's here and i fall into myself
this truth drives me into madness
i know i can stop the pain
if i will it all away

don't turn away
don't give in to the pain
don't try to hide
though they're screaming your name
don't close your eyes
God knows what lies behind them
don't turn out the light
never sleep never die

i'm frightened by what i see
but somehow i know
that there's much more to come
immobilized by my fear
and soon to be blinded by tears
i can stop the pain
if i will it all away

don't turn away
don't give in to the pain
don't try to hide
though they're screaming your name
don't close your eyes
God knows what lies behind them
don't turn out the light
never sleep never die

fallen angels at my feet
whispered voices at my ear
death before my eyes
lying next to me i fear
she beckons me shall i give in
upon my end shall i begin
forsaking all i've fallen for
i rise to meet the end


Evanescence

Ju

A amizade II

A amizade é a única relação afectiva incompatível com a ambivalência.

Ju

Tuesday, July 12, 2005

A amizade

Há pessoas que entram e saem da nossa vida sem deixar marcas. Com outras,porém, estabelece-se um laço afectivo que se vai estreitando com o tempo. Acredito que exista um paralelismo entre o amor e a amizade pois, trata-se de sentimentos muito próximos em termos de essência, mas diferentes no que respeita ao modo de aparecimento. O amor pode nascer abruptamente, sem permitir a reflexão. Um olhar, um detalhe, uma atitude...atrai-nos naquela pessoa e fixa-nos a ela. Por sua vez, é difícil existirem amizades á primeira vista, porque é uma relação que se vai avançando, pouco a pouco, baseando-se no conívio, na partilha, na partilha de afectos, de atençoes... de cumplicidades. As situaçoes complicadas por que passamos ajudam-nos muitas vezes a distinguir a qualidade das amizades. Se uns nos espantam pela positiva, outros afastam-se porque nao suportam a tristeza, o que nos revela que nao passam de conhecidos...penso que é muito fácil ser-se amigo nos bons momentos...difícil é suportar a dor do outro (que passa a ser a nossa) e tentar erguê-lo dos escombros. É inegável que esperamos sempre algo de um amigo,nao existe amizade sem interesse...este "interesse" nao é material mas sim um interesse afectivo..este interesse é o de nos sentirmos acolhidos, de ocuparmos um espaço privilegiado no lado esquerdo do peito...para mim a amizade precisa de ser "regada" ou corre o risco de morrer por falta de cuidados...nao digo um contacto a 100%, os amigos nao vivem sempre em pura harmonia e uma verdadeira amizade é aquela que permite o confronto, a divergência de opinioes, sem correr o perigo de o elo se quebrar..também sei que nao existe possibilidade de se estabelecer uma relaçao se tivermos permanentemente medo da perda..para mim o diálogo favorece o ajuste e permite estabelecer limites...os amigos entendem-se com o olhar, comunicam através do silêncio...se o tempo enfraquece o amor e fortalece a amizade, esta poderá ser a receita para a longevidade das relaçoes afectivas...

Saudade...

Saudades Sim... talvez... e porque não...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração

Esquecer Para quê... Ah como é vão
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim

Florbela Espanca

Monday, July 11, 2005

À Noite

O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não te buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.

Se os teus abismos constelados fito
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor
, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito
.

Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.

(…)

Fernando Pessoa


Ju

Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros – cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

Fernando Pessoa


Ju

Enamoramento

“Dois são os enamorados. O processo colectivo começa. Leon Chestov, ao invés, escreveu que só com o número três começa o plural.

A mística do eu e do outro que se fundem em terceira entidade, mística do sim e do não, do fogo e da água, mística do silêncio, do crepúsculo e da madrugada, do e da pedra no meio do caminho, abre espaços antigos – novos, sem limites, não sitiados, ainda viáveis.

Enamorar-se, apaixonar-se, amar, pressupõe o desejo. Desejo, que és tu?
Desejo é utopia, «uma exploração possível a partir do impossível». Porquanto a utopia é o imaginário que se impõe. Imaginário da melancolia e o seu fruto, a paixão; imaginário da nostalgia e o seu fruto, o amanhã, o amanhã; o imaginário do vazio e o seu fruto, revoltas e revolução; o imaginário da totalidade e o seu fruto, a morte: sempre presentes.”

«Les amoureux sont seuls au monde…»

Francesco Alberoni
Ju

Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros – cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

Fernando Pessoa

Sunday, July 10, 2005

Breve o dia...

Breve o dia, breve o ano, breve tudo.
Não tarda nada sermos.
Isto, pensado, me de a mente absorve
Todos mais pensamentos.
O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,
Que, inda que mágoa, é vida.

Ricardo Reis

Mais poesia... :p

Para ser grande...

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

Uns

Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos.
Colhe o dia, porque és ele.

Ricardo Reis