Monday, July 11, 2005

À Noite

O silêncio é teu gémeo no Infinito.
Quem te conhece, sabe não te buscar.
Morte visível, vens dessedentar
O vago mundo, o mundo estreito e aflito.

Se os teus abismos constelados fito
Não sei quem sou ou qual o fim a dar
A tanta dor
, a tanta ânsia par
Do sonho, e a tanto incerto em que medito
.

Que vislumbre escondido de melhores
Dias ou horas no teu campo cabe?
Véu nupcial do fim de fins e dores.

(…)

Fernando Pessoa


Ju

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